segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Evo Morales lidera marcha de organizações bolivianas



Mario Hubert Garrido

La Paz, 20 out (Prensa Latina) O presidente boliviano, Evo Morales, liderou hoje uma marcha de organizações sociais que partiu da localidade de Achica Acima até a cidade de La Paz para exigir uma nova Constituição.

Antes de partir, na marcha de uns 60 mil participantes na caminhada, rodeada de dirigentes da Coordenadora Nacional para a Mudança (CONALCAM), Morales saudou este esforço do povo que começou o passado 13 de outubro no povoado de Caracollo, Oruro, distante 200 quilômetros de La Paz.

Faço parte desta caminhada como mais um filiado da Central Operária Boliviana (COB), afirmou o chefe de Estado antes de começar a percorrer os quase 50 quilômetros que separam a marcha da sede de governo, onde chegará à tarde desta segunda-feira.

Em declarações à Prensa Latina, Morales condenou a atitude de legisladores no Congresso que põem obstáculos à aprovação de uma norma que permita um referendo popular para ratificar o projeto de carta magna aprovado em dezembro passado em Oruro.

Não é possível que uma maioria seja refém das minorias agrupadas em partidos opositores como Poder Democrático Social (PODEMOS), Unidade Nacional (UN) e Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), que querem chantagear ao povo, afirmou.

Os que tinham o poder antes, não querem perder seus privilégios, por isso fazem o impossível para que no legislativo não aprove a lei de convocação ao referendo constitucional, acrescentou.

Tomara que antes de chegar a La Paz, os congressistas se coloquem de acordo e esta marcha do povo boliviano termine em uma grande festa nacional, precisou.

Morales explicou que apesar de que sua gestão e a do vice-presidente Álvaro García, iniciada em janeiro de 2006, tenha sido respaldada no passado 10 de agosto com mais de 67% em um referendo revocatório, estão de acordo encurtar esse mandato, tal como o estabelece a nova Constituição.

Segundo a proposta do dirigente Movimento ao Socialismo (MAS) no Congresso, se for aprovada a nova carta magna em 2009, serão convocadas a eleições gerais, mas a atual gestão de Morales (que iniciou em 2006) não contaria como primeiro mandato ao se abrir um novo período constituinte.

Deste modo, Morales poderia apresentar-se a eleições gerais em 2009 e, no caso de ganhar, optar à reeleição nas seguintes para um nova gestão de cinco anos.

O mandatário destacou que a oposição não quer também tampouco escutar as concessões que fez o MAS no tema das autonomias ou os acordos assinados após 18 dias de encontro do Executivo com os governadores do telefonema Meia Lua, adversos ao processo de mudança.

"Estão jogando (a oposição) ao desgaste de Evo Morales, de seu governo, e dos movimentos sociais, mas não conseguirão", enfatizou.

Por sua vez, Isaac Ávalos, dirigente dos camponeses, afirmou que os participantes da caminhada, em representação dos nove departamentos, realizarão uma vigília pacífica na cidade de La Paz, mas sem se voltar a seus territórios até conseguir seus objetivos.

Fidel Surco, presidente da CONALCAM, que lidera a marcha, instou aos legisladores a aprovar a lei de convocação ao referendo, reclamo histórico ao qual não pensam em renunciar.

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