quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O jornalismo de pegadinha



Coutinho recua e diz que BNDES não é hospital
(pegadinha do malandro...)

Do Blog do Nassif, em 28/10/08, 10:28.

O subjornalismo tem diversas vertentes.

Há um tipo de jornalismo de intriga. Tome-se uma entrevista de alguém, selecione-se uma frase que possa passar a impressão de estar criticando outra pessoa, e dê destaque. Depois, repercuta com a pessoa supostamente criticada.

Há o jornalismo futebolista, que transforma qualquer evento, por mais insignificante que seja, em peleja, com um vencedor e um derrotado.

Ultimamente floresceu o jornalismo dicionário, preocupadíssimo em levantar erros de português em declarações de autoridades.

E há o jornalismo de “pegadinha”. Consiste em pegar uma entrevista de uma pessoa, separar uma palavra específica do contexto, dar-lhe a interpretação indevida. E, depois, tratar os esclarecimentos como se fossem “recuo” ou “desmentido”.

É o caso típico dessa discussão bizantina em torno da “ajuda” do BNDES às empresas que perderam com o subprime brasileiro.

O presidente do BNDES Luciano Coutinho disse que o banco estaria atento a esses problemas – especialmente de empresas com repercussão sobre cadeias produtivas.

Em nenhum momento falou em “ajuda”, em “operação hospital”, em “subsídios”. Pelo contrário: falou em capitalização das empresas pelo valor de mercado (isto é, depreciado). Significa adquirir ações – na baixa, se de empresas em dificuldades – para garantir o retorno ao banco quando a empresa se recuperar.

Falou mais. Que o banco aproveitaria essas capitalizações para induzir as empresas a saltos de governança corporativa e modernização de gestão.

Não adiantou. Uma ação não paternalista foi dividida em dois blocos opostos, ambos dando mote a críticas. O primeiro bloco foi o mote da “operação hospital”, ignorando-se que seria através de compra de ações depreciadas. O segundo bloco foi o da “estatização”, ignorando-se que compra de ações desmentia a tese da "operação hospital".

Aí vem o Ministro da Fazenda Guido Mantega reiterar que o governo não vai “ajudar” especuladores. Coutinho esclarece, mais uma vez, que o BNDES não é hospital e que as operações, se ocorrerem, seguirão estritamente procedimentos de mercado.

Agora, as manchetes falam em “desmentido”, “recuo”e coisas do gênero.

Esse tipo de jornalismo de “pegadinha” já cansou.


Por Luis Nassif.

Comentário:

Não que Coutinho, Presidente do BNDES, não faça parte da mesma pegadinha com o dinheiro dos brasileiros... ou será que custear com o nosso dinheiro uma fusão constituindo um monopólio se dá por convicção e não por dinheiro?!
Fora Delfim!
Fora Mantega!
Fora Meireles!
Fora Coutinho!
Quantos foras mais, dará o governo Lula? Espero que não muitos! Gostaria de ver o capital financeiro bradar: "Fora povo!". O que já seria um ótimo indício de estar trilhando o caminho certo...

Um comentário:

  1. Legal o seu blog, esgtá muito bem elaborado.
    Já o "linkei" no meu.
    Um abraço e até a vitória!

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