segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Exclusivo: entrevista com Katu Arkonada do Euskal Herria, movimento pela independencia do País Basco



O estado espanhol nasceu da união de uma série de reinos. Nós, do então Reino de Navarra éramos um deles. Quando se fala de nação se fala de duas coisas, língua e território. No momento da expansão do reino de Castela, fomos invadido em 1512, apesar dos 9 anos de resistência. Para manter o domínio desde então, são permitidas legislação própria, língua (por vezes proibida), cobrança de alguns impostos entre outros fatores.

O território possui cerca de 20 mil quilômetros quadrados e 3 milhões de habitantes.

Basco é o idioma mais antigo da Europa, algumas teorias dizem que vem do centro da Europa e outras da África. A cultura basca se preservou muito em relação a outras, a proteção natural dos Pirineus jogou um papel fundamental na proteção do território.

O nacionalismo moderno, as primeiras constituições e as descolonizações que surgem por volta de 1900 influenciam o movimento moderno no País Basco, nasce nossa bandeira.
Com a segunda república que foi golpeada pelo golpe de Franco, depois das grandes guerras mundiais, se proibiu a fala do idioma, mostrar-se a bandeira, desde 1939-1975 (enquanto franquismo). Em 1970, movimentos de liberação no Mundo e no país Basco iniciam a luta armada com muitos grupos de origens distintas. Nessas circunstâncias nasceu o ETA, que inclusive foi responsável pelo o assassinato do sucessor de Franco.

E a pergunta é como, depois da ditadura, em 2008 com a vida desenvolvida na Europa, vários jovens ingressam no ETA.

ETA e só uma das expressões do conflito político. Uma boa parte do País Basco, majoritariamente, são nacionalistas e independentistas, comprovados com margens de votação maiores de 60%. O Batasuna ilegalizado (ANV, sigla originária da primeira república espanhola, também ilegalizado) é um partido político com ligações históricas com ETA. A questão mais visualizada são os atentados, mas a briga social é muito forte e o estado espanhol, para combater o movimento, associa tudo com o ETA. Fechou o único jornal em basco, as rádios, vários movimentos sociais e associações.

Nesse aspecto não há muita diferença entre os dois maiores partidos PP e o PSOE, por exemplo a esquerda espanhola criou o GAL, esquadrões de extermínio financiados pelo orçamento federal.

No País Basco, por sermos uma nação sem um estado, trabalhamos muito a solidariedade com outros povos sem estado, no Comitê Internacional do FSM há grupos venezuelanos, palestinos e bascos. Um outro mundo é possível para os povos sem-estados. O desafio do movimento independentista é mudar a sociedade, e que é só a partir da própria independência pode mudar o Mundo.

Durante a entrevista houve mais um atentado com mortes na Espanha.

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