quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

CICLOATIVISTAS PARAENSES REALIZAM A BICICLETADA "MÁRCIA PRADO", CONTRA A VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO.


Ontem, no final da manhã, Márcia Regina de Andrade Prado, 40, foi morta atropelada por um motorista de ônibus que, imprudentemente, tentou ultrapassá-la em sua bicicleta, que trafegava corretamente pelo lado direito da pista, na Av. Paulista, cidade de São Paulo. Em homenagem à cicloativista (que assinou o "Manifesto dos Invisíveis" participando do movimento da bicicletada) e como forma de protesto contra o descaso da Prefeitura Municipal de Belém, cerca de 50 cicloativistas paraenses realizaram a Bicicletada "Márcia Prado" nessa quarta-feira à noite no bairro da Terra Firme.

Márcia Prado em viagem da bicicletada São Paulo denominada "Interplanetária" em 2008.

Segundo o Código Brasileiro de Trânsito, (art. 201) deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta é infração média e (art. 220) deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito (inciso XIII) ao ultrapassar ciclista é infração grave.
A Bicicletada é um movimento onde ciclistas se juntam para reivindicar seu espaço nas ruas. Serve para divulgar a bicicleta como um meio de transporte, criar condições favoráveis para o uso deste veículo e tornar mais ecológicos e sustentáveis os sistemas de transporte de pessoas, principalmente no meio urbano.
Um dos lemas do movimento é "um carro a menos", usado principalmente para tentar obter um maior respeito dos veículos motorizados que trafegam nas ruas saturadas das grandes cidades. Outro slogan levantado é "nós somos o trânsito". A idéia é conscientizar motoristas que a bicicleta é apenas mais um componente da mobilidade urbana e que merece o devido respeito.
Os e as militantes por um transporte consciente iniciaram a implantação de uma ciclo-faixa na recém-asfaltada Av. Perimetral, palco do VIII Fórum Social Mundial (VIII FSM), cobrindo cerca de um terço da via. Somente com estêncil, tinta, rolo e boa vontade foi realizado o trabalho que a Companhia de Trânsito de Belém (CTBel) se recusa a fazer, expondo um grande número de cidadãos e cidadãs, que utilizam a bicicleta como meio de transporte, à riscos de acidentes.

Ciclo-faixa feita pela população à sombra do descaso do poder público municipal.

Os moradores da área aprovaram e participaram da ação, muitos queixam-se da autoridade municipal pelo fato da maior concentração de ciclistas da cidade (residentes dos bairros do Guamá e Terra Firme) não contar com uma ciclovia sequer. Nem a realização de um evento internacional, com investimento de centenas de milhões em obras, como o VIII FSM, foi suficiente para a Prefeitura de Belém investir na segurança dos habitantes da área.
Dando continuidade ao processo, foi marcada uma reunião aberta à todas e todos os ciclistas, no sábado, dia 17 de janeiro, a partir das 14h, na Oca do Memorial dos Povos Indígenas no Complexo Ver-o-Rio, onde serão definidos as próximas ações da Bicicletada/Pará, especialmente em relação ao VIII FSM.

Bicicletada "Márcia Prado" realizada na Terra Firme.

A bicicletada no Pará conta com o apoio da Equipe de Aventura Ratos de Trilha (EART) que foi criada em 2003 buscando agregar ao esporte, o convívio intenso com a natureza de nossa região, programas de conscientização e preservação ambiental, atividades sócio-culturais e beneficentes, atraindo novos adeptos ao ciclismo. O sítio www.eart.esp.br, onde são divulgadas as atividades, conta com mais de 500 usuários registrados no fórum de debates. Atualmente a EART organiza trilhas quinzenais (diurnas e noturnas) por vários municípios paraenses, e passeios noturnos em Belém, todas as quartas-feiras.

3 comentários:

  1. Obrigado Amig@s,

    O sonho/luta de MÁRCIA, jamais se perderá...pedalar sempre/desistir jamais!!!

    Com o coração em prantos
    Abraços

    Pedalante

    ResponderExcluir
  2. Maravilhoso manifesto. Sou de Belém e mas moro em Sp. Fizemos ontem uma homenagem. Fomos a Av. Paulista colocamos flores e velas no local do acidente. Devemos deixar de ser pacificos a todas as atrocidades que acontecem. A Perda de uma vida não é um número a mais. Parabéns

    ResponderExcluir
  3. A bicicleta azul
    Por Dal Marcondes

    Esta semana comprei uma bicicleta. Não fui a uma loja e escolhi um modelo moderno. Resolvi resgatar uma velha bicicleta que estava em um porão na casa de meu primo. Foi usada por seus filhos nos anos 90 e estava lá, murcha como seus pneus. Um pedal faltando e uma roda meio torta. Procurei uma bicicletaria no bairro onde moro e, para minha surpresa, não encontrei. Mas não me dei por vencido. Mandei arrumar em outro bairro.

    Desde que ganhei uma bicicleta checa, verde e branca, comprada no Mappin, quando fiz dez anos, não ando mais de bicicleta. Andei muitos anos de moto, mas não de bicicleta. Bom, vou voltar a andar. Os motivos são muitos, ideológicos, para não emitir carbono, de saúde, para fazer exercícios, e agora, também, por teimosia.

    Esta semana ouvi falar pela primeira vez de Márcia Regina de Andrade Prado, a cidadão ciclista que morreu atropelada por um ônibus na avenida Paulista. Uma militante consciente de seu papel e capaz de fazer opções coerentes com suas crenças. Fiquei muito comovido com a morte desta mulher valente. (leia um pouco da história aqui: http://evocecomisso.blogspot.com/2009/01/o-motor-venceu.html).

    Bom, Márcia me convenceu de que minha bicicleta azul precisa ganhar as ruas. Um carro a menos. Menos carbono no ar. Espero conseguir manter minhas convicções com o mesmo vigor que a Márcia. Andar na minha bicicleta recondicionada/reciclada será uma forma de homenagear aqueles que não apenas “cagam regras” pelo mundo, mas fazem. E fazem a diferença. Não te conheci Márcia, uma pena. (publicado no Blog da Envolverde)

    ResponderExcluir

Somente comentários respeitosos serão aceitos, incluindo críticas, sugestões, dúvidas, elogios, opiniões etc.