domingo, 19 de abril de 2009

Fazenda Espírito Santo: a história se repete...



São chocantes as imagens de capangas da fazenda Espírito Santo, da Agropecuária Santa Bárbara, braço da uqadrilha Opportunity no agronegócio, pertencente a dono do Brasil, Daniel Dantas.

No vídeo, diversos capangas com pistolas e espingardas desferem tiros em integrantes do MST. As informações, ainda desencontradas, dão conta de nove feridos até agora.

Essa terra maldita, quando era de propriedade dos Mutran, foi palco de um dos mais emblemáticos casos de trabalho escravo no Pará, o caso José Pereira*.

Ontem (18 de abril de 2009), 13 anos e um dia após o massacre de Eldorado dos Carajás (próximo à região) e 20 anos após o caso José Pereira, capangas continuam alvejando trabalhadores rurais e a Constituição Federal continua a ser pisada nos recantos do "Bico do Papagaio", área marcada pela injustiça e impunidade do agronegócio.

Uma propiredade de trabalho escravo e assassinatos tem função social? Para o Imperador do STF, com certeza tem...

Excepcionalmente, por falta de utras fontes, abrimos excessão e publicamos vídeo de um órgão da grande mídia para termos idéia da barbárie, por isso relevem a reportagem que trata capangas como "seguranças" e vítimas como criminosos:

* José Pereira e outra vítima, conhecida, apenas, pelo apelido de "Paraná" se encontravam em cativeiro vigiados por cerca de 10 capangas armados, junto com aproximadamente outras 30 vítimas. Segundo Pereira, os trabalhadores eram vigiados, sob a mira de espingardas calibre 20, dormiam trancados em um barracão coberto por uma lona preta e cercado de palha. Comiam arroz e feijão e só tinham carne quando algum boi era atropelado. Trabalhavam todos os dias da semana fazendo o roço de juquira e arroz de pasto, ambas as tarefas sem o fornecimento de equipamentos de segurança. O menor e as demais vítimas não recebiam remuneração por seu trabalho e eram explorados pelo sistema de "barracão" , em uma forma de escravidão por dívida.

Em setembro de 1989, Pereira e "Paraná", intentaram fuga numa madrugada, caminhando mais de 5 horas, margeando pelo mato a única estrada da área que conheciam. Quando saíram de dentro da vegetação foram surpreendidos por uma emboscada, comandada pelo gato e pistoleiro "Chico Cambota", sendo "Paraná" foi alvejado e morto. O bando forrou a carroceria de uma camionete com lona e depositou o corpo de "Paraná".
Pereira, rendido, foi ordenado a andar em direção contrária aos pistoleiros e foi alvejado pelas costas, na cabeça, tendo o projétil atingido um de seus glóbulos oculares. Nesse momento a vítima caiu e fingiu-se de morta. O menor foi arrastado e colocado junto ao corpo do colega, tendo sido levados a frente da fazenda "Brasil Verde", onde foram jogados à beira da estrada.

Após a fuga dos assassinos, Pereira procurou socorro na fazenda "Brasil Verde" de onde lhe levaram de carro até o Hospital Santa Luzia, onde foi internado. Posteriormente, o menor foi a Belém receber tratamento no olho ferido, mas infelizmente perdeu a visão do órgão. Em Belém, denunciou à Superintendência do Departamento de Polícia Federal (DPF) no Pará os crimes no "Castanhal Espírito Santo". "Chico Cambota" e os demais componentes da quadrilha souberam que ele havia sobrevivido e fugiram. Quando a Polícia Federal (PF) do Pará chegou ao local havia cerca de 60 pessoas reduzidas a condições análogas à escravidão. Segundo Pereira, a PF pagou somente a passagem de volta para as vítimas, deixando-as à beira da estrada.

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