domingo, 31 de maio de 2009

A Culpa do Mundo é nossa!

Atualização:
nota do Governo do Estado do Pará.

Conforme se suspeitava, Belém não foi escolhida como uma das cidades-sedes da Copa do Mundo FIFA de 2014. Pois bem, os ânimos mais exaltados, reaças de plantão e a direita entreguista já começam a dar sinais de “revolta” com o Governo do Estado do Pará e, especialmente, com a governadora Ana Júlia Carepa. A exploração política do fato é algo a se esperar, assim como dois mais dois são quatro, e isso não ocorrerá somente nos meses seguintes e na próxima eleição, mas por muitos anos, até décadas.

De fato, a região metrpolitana de Belém perde uma boa oportunidade de investimentos estruturais, divulgação turística etc. Mas nada que se lamente por tanto tempo. Mesmo porque, como tudo no Mundo e, especialmente, no Brasil a maior parte dos investimentos seriam públicos, isso com certeza em detrimento das demais regiões do estado, essas sim, carentes há séculos de investimento estrutural.

Todavia, a questão é que, em primeiro lugar faz-se necessário esclarecer que a Copa do Mundo FIFA é, principalmente, um empreendimento comercial, logo visa o lucro e é de natureza empresarial. Sendo assim, a sua organização, a despeito das paixões fanáticas das torcidas, é feita sob essa ótica exclusivamente, e isso há muitas décadas já... como quase todos os eventos esportivos de massa. Portanto, os critérios de seleção das cidades-sede não são, como muitos gostariam, maiores torcidas ou clubes, muito menos estádios, como sugerem os critérios oficiais, não, o principal critério é o dinheiro, o que implica nas demais condições. Me explico, já abordando a disputa entre Belém e Manaus, Manaus com a criação da Zona Franca se industrializou, e por consequência, se estruturou. Manaus possui mais vias, sua área urbana é mais distribuída, a rede hoteleira mais extensa e o turismo é mais consolidado internacionalmente. Assim, Manaus ganha de Belém nos dois principais critérios, infraestrutura instalada e capacidade de investimentos privados.

Belém, tem um melhor estádio, disso ninguém duvida, só esquecem que ele igualmente teria que ser praticamente reconstruído, e mesmo se não tivesse nenhum, a construção de estádios é o feijão com arroz de se sediar megaeventos esportivos. Muitos diriam então que caberia ao Governo do Estado “atrair” investimentos privados que apoiassem a candidatura e, ele assim o fez, o que o Governo não poderia fazer é gerar do dia para a noite um parque industrial paraense. Ah, mas e a Vale? A Vale, como qualquer poste sabe, não está nem aí para o Pará, em especial o povo paraense, muito menos a atual gestão do Governo do Estado, mas esse é um assunto para uma tese inteira, e já há muitas, quem duvidar ainda espera o papai noel na noite do dia 24 de dezembro...

Não creio que haja “culpados” por Belém não ter sido escolhida, mas se fosse para apontarmos os principais responsáveis, com certeza não seria o Governo do Estado, que fez tudo que estava ao seu alcance, e sim o empresariado paraense, que assim como a Vale, quer mais é que o Pará se exploda, e inclusive por isso, não tem visão para investir aqui. Só para exemplificar, a Cervejaria Paraense (CERPA), de um alemão, sonegou bilhões de reais em impostos (isso mesmo, bilhões), fora o de praxe: fraudes em financiamentos de campanhas políticas. Os proprietários de empresas de transporte urbano então nem se fala, há décadas financiam legal e ilegalmente políticos para explorar mais a população que não tem forças sequer para conseguir terminais de integração, a coisa mais óbvia e urgente que Belém necessita para melhorar seu trânsito.

Aqui nos Pará e assim, quanto pior melhor, a mineradora carrega todos os dias bilhões em minérios para pagar impostos no Maranhão, as multinacionais como a Ford, Monsanto e até o Opportunity escravizam (literalmente) os trabalhadores rurais em latifúndios grilados (terras públicas!) do tamanho de países, o conglomerado de comunicação dos Maiorana recebia duzentinhos limpo por mês para usar as antenas públicas para retransmitir seu sinal ao interior, não se dignaram nem a instalar um sistema próprio (!), assim não dá para esperar mais do que fez o empresariado paraense para que Belém sediasse jogos da Copa: nada!

Mas, como é de praxe, põe na conta do Governo, especialmente da governadora. E a Prefeitura de Belém? É, nem para ser injusto se faz justiça aqui nesse estado. Mas podem xingar, não tem problema, as mudanças já chegaram, e chegaram para ficar.

2 comentários:

  1. Querido Rao,
    Não me incluo entre os que acham que o fato de Belém não ter sido escolhida como uma das cidades brasileiras onde acontecerá a Copa de 2014 foi um mal negócio. Veremos a Copa pela TV o que é muito melhor do que ir ao estádio, pelo menos podemos curtir melhor e na santa paz. Quanto ao governo do Pará prefiro não me pronunciar. A governadora não consegue trazer para o estado nem verba para aliviar a penúria dos desabrigados das intempéries, quanto mais grana para tocar obras para a Copa. Friso também que sem lucro nada vai para a frente. Capitalista gosta de dinheiro e comunista também, pois sem tutu a roda do mundo não gira. Portanto amigo Raoni não existe culpa do mundo e ela realmente não é nossa!

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  2. Raoni, foi mt engraçado ver o liberal de hj. No etitorial e no repórter 70 eles descem a maçaranduba na Ana. Já o caderno de esportes, que esqueceu de combinar com o resto do jornal, diz que Manaus foi escolhida pela sua localização geográfica. Em qual O liberal acreditar? Abs!

    Mas, apesar de tudo, pode esperar, a culpa do mundo e nossa de qualquer jeito...

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