segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Pelos caminhos da revolução, capítulo 1

Santiago de Cuba, onde tudo começou...

Para subsidiar e contextualizar a minha rota pelos caminhos da revolução, ainda em Havana, comprei o livro "Passagens da Guerra Revolucionária" do Comandante Che. Nele, a partir do seu ponto de vista, Che relata as principais passagens da guerra revolucionária com detalhes. Baseado, principalmente, nessa obra que foi feito o roteiro da primeira parte do filme “Che - O Argentino”, de Steven Soderbergh, lançado este ano.

Em 26 de julho de 1953, a Geração do Centenário (alusão ao nascimento do maior revolucionário cubano, José Martí), liderada por Fidel Castro Ruz, atacou simultaneamente o quartel Moncada, em Santiago de Cuba, e o quartel Carlos Manuel Céspedes, em Bayamo, tendo sido derrotada pelas tropas do regime militar do ditador Fugêncio Batista. Começava a luta armada por mais uma libertação de Cuba.

Justamente em Santiago de Cuba, comecei a viagem pelos caminhos da revolução cubana, precisamente em 26 de julho, mirando os orifícios de balas que permanecem nas paredes e na memória do antigo quartel, hoje museu e escola, senti pela primeira vez a emoção de trilhar o caminho de heróis em Cuba.

Quartel Moncada, as marcas de bala permanecem assim como a lembrança do levante revolucionário.

Neste final de semana, em Santiago, comemora-se o maior carnaval da ilha, assim como no Brasil e outras partes do mundo, a festa possui um forte caráter popular na província oriental cubana onde se concentram a maioria dos afrodescendentes. O povo toma as ruas em ritmos da salsa ao reggeaton, regado por galões de cerveja artesanal e leitões assados inteiros de tira-gosto. O modesto desfile de alegorias é uma pequena parte da comemoração que mobiliza a segunda maior cidade cubana, com visitantes de todas as partes do planeta.

O povo na rua durante o carnaval de Santiago.

Não por acaso, no domingo de carnaval, comemora-se também o aniversário do assalto aos quartéis de Santiago e Bayamo, uma vez que a data foi escolhida estrategicamente para surpreender os contingentes militares estafados da festa. O 26 de julho batizaria o movimento revolucionário que, com o apoio popular, derrubaria mais uma ditadura de exploração que assolava a ilha.

O percurso de bicicleta da viagem havia de iniciar por Santiago, pois não só seguiria os caminhos revolucionários, como também, tomaria proveito dos ventos marítimos que sopram do leste em direção ao Golfo do México. Assim, empurrado pelos ventos revolucionários segui viagem utilizando somente a bicicleta como transporte, no caso, uma das minhas filhinhas, a Cabocla Jarina.

A minha filhinha, Cabocla Jarina, sorrindo...

Ao contrário do que indicam os malfadados livros “guias de viagem”, Santiago é perfeita para ser explorada de bicicleta ou mesmo a pé. Possui diversas ladeiras, mas nada proibitivo, sem contar que o ar bucólico do pequeno centro histórico da cidade, quase suplica através dos seus ladrilhos por uma locomoção cuidadosa e limpa.

Mesmo que um na tenha a sua bike, basta tomar uma bicitáxi, que além do prazeroso passeio, ainda se ganha um bate-papo e situações divertidas.






Carros antigos e carroças fazem parte das opções inusitadas de transporte público. Carrinhos de rolimã também marcam a sua presença!

"Las Máquinas", táxis de carros antigos.


Chacoalha!


Cena bucólica nas ruas de Santiago...

Os caminhos surpreendem o visitante com tantas curiosidades, como a boate, ops, quero dizer funerária de luz neon! Ou então o gorro do smurf comunista...

A festa macabra!


Parte do Brasão de Cuba ou homenagem ao smurf comunista?

Na cidade do lendário Frank País, mártir revolucionário, visitei os pontos históricos, com destaque ao Parque Céspedes, onde desde de a sacada centra do Ayuntamiento, em primeiro de janeiro de 1959, Fidel proclamou o triunfo da revolução.

"La Revolución empieza ahora; la Revolución no será una tarea fácil" pronunciou Fidel em seu discurso do triunfo da revolução dessa sacada.

Santiago de Cuba, que já foi a capital do país, é conhecida como a cidade herói de Cuba, por sua população ter apoiado todas as guerras libertárias da ilha, como a “Guerra dos Dez Anos” (primeira guerra de independência contra a coroa espanhola), a “Guerra da Independência” (última guerra de independência) e a própria revolução cubana. Curiosamente, ali também nasceu o revolucionário francês Paul Lafargue, que escreveu o meu livro predileto da literatura marxista, “O Direito à Preguiça”, tendo sido inclusive genro de Karl Marx, pois foi casado com a sua filha, Laura Marx.

Placa em memória de Frank País.

Fora tudo isso, é também lá que fica a lendária “Casa de la Trova” de Santiago de Cuba, principal reduto da música cubana, famosa mundialmente. Onde conheci três brasileiros, que conversando descobrimos amigos em comum e passamos uma excelente noite. Tenho que admitir que a festa ao som do grupo “Los Jubilados”, regada a muitos mojitos. Foi terrível para ressaca que senti no dia seguinte, quando parti pela estrada às 6 da manhã.




Amigos brasucas na Casa de la Trova!

Siga as atualizações do blog para o próximo capítulo da viagem.

Um comentário:

  1. Raoni, meu caro! que surpresa me deparar com essa tua aventura! que louco! te desejo sucesso nesta tua jornada e que voltes o quanto antes pra poder contar todas essas aventuras em viva voz!

    boa sorte, corajoso!

    Iara

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